O dia em que a bússola tomou um trago





É sempre este mesmo único dilema, viver de referências do passo e se inspirar para construir o presente ou olhar sempre para o futuro e bailar conforme a música que o destino nos reservou?
Naturalmente respiramos pelas narinas da desastrosa arte da comparação. O que era com o que será, como é, que cor tem, a forma que desliza, se comove, desenvolve. As situações, por mais supresas, tendem a se parecer com algo que já ouvimos antes ter acontecido. Onde foram parar o episódios inéditos da vida? Onde Deus está escrevendo, cadê as linhas tortas?
No final, as novidades tem gosto de fruta cítrica, é azedinha mas gostosa, adocicada na garganta. Para mim é assim, para você talvez, não. E é essa a graça das conquistas pessoais. De inveja, morreu o tédio.
Ilustração: ISO50