Fruto
“É possível sentir, cheirar, tocar, lamber, chupar, apertar, sorver, se lambuzar e se deleitar. Só não pode morder. Nunca. O perigo é grande. A dor, indizível. Em torno do pequi a virilidade tem limites. Os experientes avançam com desembaraço e precisão sobre a pequena saliência. Os novatos progridem às apalpadelas, cheios de dedos, assustadiços.
É com cuidados infinitos que fazem uma pinça com o indicador e o polegar e seguram o globo carnoso. Os sôfregos – ah, os sôfregos… – eles não se agüentam. Com as mãos trêmulas, seguram o fruto delicioso e dão-lhe uma dentada. Começa então o sofrimento, atroz. Parte da emoção de comer pequi está no perigo de encontrar os minúsculos espinhos que separam a polpa amarelo-ouro da branca semente.”
Revista Piauí