Os jet-setters, os super ricos e o SALON

Não existem fronteiras para os jet-setters, as principais capitais do mundo já estão batidas e servem para, além de fontes intensas de novidades e tendências, apenas como ponto de partida para destinos mais insólitos.

Normalmente eles aterrisam nas cidades ícones do manual de sobrevivência – Londres, Paris, NY, Berlim e, inclusive, São Paulo – já portando o esboço do itinerário em mãos. Requisitos básicos: Alguns poucos restaurantes novos de um chef estrelado (ou apostado por um grande nome), abertura de galeria de arte de algum conhecido (eles tem muitos amigos em todas essas cidades como se morassem ali), um rasante nas lojas mais emblemáticas da cidade, onde os vendedores já o conhecem e o fim de noite no mesmo restaurante de sempre, com os mesmos melhores amigos de sempre, a turma dos it’s que todo o resto do mundo sabe os nomes mas não fazem a menor ideia do que fazem. Essa é a diferença entre os jet-setters e os muito ricos. O primeiro grupo, verdade seja dita, não tem tanto dinheiro assim. Eles consomem fervorosamente a lista de tendências supertrendy do mercado – entre restaurantes, bares e, inclusive, cidades – Só vão a galerias na vernissage, para conversar e atualizar o networking, bebericar champagne e passar o olho em algumas obras para se inteirar do papo, só compram um único item da sua loja favorita – uma lembrancinha para não deixar passar batido ou um super objeto de desejo insinuante já calculado e repensado com antecedência e que irá lhe custar algumas parcelas de enxaqueca e superação pessoal.

A estória inteira, após o jump.

Já em solo, sempre um amigo local já está aguardando. Dali, partem para o café de sempre, para se sentar na mesa de sempre, onde uma amiga fashion-conscience já os recebem com um quase corriqueiro beijo de reencontro.

Enquanto os super ricos preferem sempre o melhor e mais exclusivo, às vezes deveras cafona ou tradicional, os jet-setters fazem questão de uma assinatura onde todos conheçam, querem fazer parte do movimento branché local, passam incólumes como estrangeiros e flanam entre as fronteiras com muita naturalidade. Os muito ricos se sentem bem apenas com o que é impossível. Possível somente a eles.

Exemplos: Em Paris, enquanto os jet-setters tomam um drink no Costes, o super ricos descem para o salão secreto no subsolo do Panthéon, onde, reza a lenda, políticos e suas esposas – nunca as prostitutas – se encontram para se gabar das suas posses, em companhia dos mais célebres pensadores da história da França, como Voltaire, Victor Hugo, Louis Braille e Saint-Exupéry enterrados ali na cripta.
Em Buenos Aires, os jet-setters vão ao Faena, os super ricos vão para fora da cidade, em San Isidro, ou na fazenda dos amigos, onde andam a cavalo.
Em Londres, os jet-setters compram na Harrod’s, os super ricos tem hora marcada no alfaiate exclusivo Henry Pole, seguido de chá com a esposa do embaixador do Brasil na própria embaixada, onde ela toma vodka na xícara.
E em São Paulo, os jet-setters vão ao novo Gold, os super ricos frequentam a casa de alguém, seja da Donata, do Jorge Elias. Do Marcus Elias, também vale.

Os jet-setters não se contentam com grandes cidades, eles precisam da força inescrupulosa do descobrimento. Portanto optam por destinos inesperados, off the beaten track, onde poderão exercer a verdadeira alquimia da desapropriação geográfica. São lugares que não pertencem a lugar algum, e sim ao mundo e a eles. São flutuantes sem fronteiras, dirigíveis sem rumo. A comida é fusion, o design é clean como uma cela de prisão, o chef é considerado transcedentor na cidade, tudo soa confortável, de repente se torna a cidade perfeita para se viver pelo resto da vida inteira. Até a próxima viagem.

A partir de hoje, o melhor lugar para se viver é em Ljubljana, capital da Eslovênia, no leste Europeu. Lá faz frio para burro, mas é tudo lindo demais, certinho, charmoso, escondido, pertinho dos melhores lugares da Europa, a língua é sexy, a moeda é Euro, os jovens vivem do estilo – inclusive na neve – E, no centrinho da moda, existe o bar-restô delicioso com vinho esloveno próprio da casa, óleo de gergelim e cromoterapia, o Salon.

Postado em: 4 de fevereiro de 2010
Categorias: ARCHI, BAR-RESTÔ, VIAGEM
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Comentários: 2 Comentários.
Comentários
Comment from huguim - 13 de fevereiro de 2010 at 21:53

morri!

Comment from Fernanda Pascolato - 12 de maio de 2010 at 22:35

Vc é muito divertido!!! Aproveitem a viagem…bjs















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